O brinquedo de pelúcia Nos Estados Unidos, isso não pode ser apenas uma história de brinquedos; é uma história da alma americana. Tendo surgido nas empoeiradas salas de costura do século XIX, tornou-se, desde então, o fenômeno viral dos brinquedos da década de 2020, que também é de alta tecnologia. Eles têm sido usados como ícones políticos, ativos de investimento e alívios para o estresse de uma nação frustrada em seu caminho.
A história em poucas palavras: das sobras ao recheio
O bichinho de pelúcia como o conhecemos hoje não existia em meados do século XIX. Para as crianças da época dos pioneiros, um brinquedo era um luxo — na maioria dos casos, tratava-se de um item feito em casa, provavelmente por uma mãe ou avó, usando retalhos de roupas da família. Essas bonecas de trapo eram recheadas com qualquer coisa que estivesse à mão: cascas de milho secas, serragem ou trapos velhos.
Ithaca Kitty 1892
Com a industrialização da indústria têxtil, ocorreu a transição dos brinquedos feitos de trapos para os brinquedos fabricados industrialmente. Com a chegada das máquinas de costura aos lares, os modelos de bichinhos de pelúcia passaram a aparecer nas revistas femininas. Em 1892, a Ithaca Kitty tornou-se a primeira fabricante de grande porte a obter sucesso. Tratava-se de um gato de musselina estampada que os pais precisavam costurar e encher, mas que vendeu milhares de exemplares e comprovou que havia um mercado enorme e inexplorado de bichinhos de pelúcia.
1902: A noite em que o ursinho de pelúcia mudou tudo
A lenda da expedição de caça do presidente Theodore “Teddy” Roosevelt não pode deixar de ser mencionada em qualquer história dos brinquedos americanos. Em novembro de 1902, Roosevelt, quando se encontrava no Mississippi para resolver uma disputa de fronteira, foi cercado pelos guias e, quando se preparava para atirar em um urso-negro ferido, seus guias o encurralaram e o amarraram a um salgueiro.
Roosevelt, que tem fama de ser tão robusto quanto a própria masculinidade e, ao mesmo tempo, joga limpo, recusou. Ele considerou antidesportivo atirar em um animal inofensivo.
Clifford Berryman fez uma charge política na qual retratou o incidente em uma ilustração intitulada “The Drawing of the Line in Mississippi”.
O Legado de Michtom
A charge causou sensação em todo o país. O lojista Morris Michtom, do Brooklyn, teve uma ideia inspirada no desenho. Sua esposa, Rose, fez um ursinho de veludo marrom e o pendurou ao lado da charge. Eles o batizaram de “Teddy’s Bear”.”
A sociedade se apaixonou por ele. Michtom escreveu uma carta à Casa Branca solicitando ao presidente que concedesse licença para o uso de seu nome. Roosevelt atendeu ao pedido, e a Ideal Novelty and Toy Company foi fundada. Ao mesmo tempo, na Alemanha, a família Steiff criava ursinhos de mohair de alta qualidade. Nas feiras de brinquedos, quando esses dois mundos se encontraram, o primeiro fenômeno mundial no mundo dos brinquedos foi o ursinho de pelúcia.
A Era de Ouro do Mohair e da Lã de Madeira
Eram muito conceituadas no início do século XX, especialmente brinquedos de pelúcia. Não eram os brinquedos macios e cheios de espuma de hoje em dia. A maioria era recheada com lã de madeira (excelsior) ou sumaúma e feita de mohair, ou seja, pelo da cabra angorá.
Esses ursinhos eram robustos e resistentes, feitos para serem usados durante toda a vida. Suas pernas e olhos eram frequentemente feitos de vidro, e podiam ser usados em festinhas de chá. Com a Grande Depressão, o caro mohair ficou inacessível e o espírito americano de “improvisar com o que se tem” tomou conta. Assim nasceu o “Sock Monkey”: as mães tricotavam macacos de meia da Nelson Knitting Company com desenhos adornados com o “Red Heel”, e a figura se tornou um ícone da arte popular, ainda hoje um clássico do kitsch nos Estados Unidos.
A Revolução Química, o boom do pós-guerra
A estrutura da indústria americana de brinquedos mudou após a Segunda Guerra Mundial. As fibras sintéticas foram responsáveis por essa transformação.
– O poliéster e o náilon foram desenvolvidos na década de 1950. Os fabricantes deixaram de usar fibras naturais. O veludo sintético era mais barato, podia ser tingido em cores vivas e, o mais importante, podia ser lavado na máquina.
- O Movimento pela Segurança foi bem-sucedido. As crianças pequenas corriam o risco de ter que usar olhos de vidro e óculos com armação de arame ainda na infância brinquedos de pelúcia. Na década de 1960, a fabricação de brinquedos de pelúcia passou a ser seguro para bebês com a introdução dos olhos de segurança (pinos de plástico que não podem ser removidos).
Aumento dos personagens licenciados
Os peluches licenciados também são fruto dessa época. Quando a televisão chegou às salas de estar, as crianças passaram a sentir necessidade de ter uma versão física dos personagens que viam na tela. Walt Disney foi o primeiro a entrar nessa onda e conseguiu transformar o Mickey Mouse e Pato Donald de pelúcia e produtos fofinhos para abraçar. Não era um ursinho qualquer, mas sim um brinquedo de pelúcia: a magia de Hollywood que você podia levar para casa.
Os anos 80 e 90: a era da inovação e da loucura

O setor passou pelos anos mais turbulentos e inovadores no final do século XX. São as décadas em que o brinquedos de pelúcia não eram considerados meros brinquedos, mas sim eventos culturais.
A febre dos Cabbage Patch
Os Cabbage Patch Kids causaram uma histeria sem precedentes no varejo americano no início dos anos 1980. Suas cabeças eram feitas de plástico, mas seus corpos eram feitos de pano macio isso foi fácil de aceitar. Eles vinham acompanhados de documentos de adoção, que exploravam a necessidade dos americanos de ter um relacionamento pessoal e único.
O Fenômeno dos Beanie Babies de Ty
Ty Warner revolucionou o mercado de brinquedos em 1993. Ele lançou os Beanie Babies. Ao contrário dos brinquedos extremamente recheados da década de 80, os Beanies eram pouco recheados com grânulos de plástico (feijões), o que lhes dava uma textura mole e um aspecto realista.
A genialidade de Warner estava em explorar a escassez no marketing. Quando ele retirou alguns dos bichinhos de circulação, percebeu a existência de um segundo mercado, no qual um brinquedo de 5 dólares pode chegar a valer 5 mil dólares. Os Estados Unidos viveram a “Beanie Mania” por cinco anos. Era comum ver adultos de meia-idade se aglomerando nos corredores das lojas Hallmark porque acreditavam que esses brinquedos de pelúcia seria um investimento excelente, melhor do que o ouro ou as ações. Embora a bolha tenha estourado, isso demonstrou que brinquedos de pelúcia não só conseguia cativar a imaginação das crianças, mas também a dos adultos.
O século XXI: Tecnologia x Sensação tátil
Quando entramos na era digital, muitas pessoas achavam que os bichinhos de pelúcia estavam com os dias contados. Por que uma criança precisaria de um urso sem graça se pode ter um iPad? O setor reagiu de duas maneiras diferentes.
O Pelúcia Interativo
O final dos anos 90 e as primeiras décadas dos anos 2000 nos trouxeram os brinquedos que falam. Uma lenda foi criada com o Tickle Me Elmo (1996) e, em seguida, com o Furby, capaz de aprender a falar com a ajuda de sensores infravermelhos e inteligência artificial básica. Esses brinquedos fizeram a ponte entre o conforto à moda antiga e o avanço do mundo tecnológico.
A Economia da Experiência
Maxine Clark fundou a primeira loja da Build-A-Bear Workshop em 1997, em St. Louis, Missouri. Ela percebeu que as pessoas buscavam algo diferente em um mundo dominado pela produção em massa. A Build-A-Bear transformou o bichinho de pelúcia em uma lembrança, permitindo que as crianças escolhessem seu bichinho, o enchessem e colocassem um “coração” dentro dele. Não era um brinquedo, era um amigo que a criança ajudava a criar.
A Chegada do “Squish”: Pelúcias como forma de autocuidado
O mercado americano de pelúcias passou pela maior mudança de todos os tempos nos últimos cinco anos: o surgimento dos Squishmallows. Lançados em 2017 pela Kellytoy, os brinquedos são ultramacio, em formato de marshmallow, e se tornaram um fenômeno cultural desde o seu lançamento, especialmente durante a pandemia da COVID-19.
Por que eles têm tanto sucesso?
Conforto sensorial: Sua mistura especial de spandex e poliéster oferece uma combinação relaxante que proporciona uma sensação tátil conhecida como “squish”.
A tendência “Kidult” entre os adultos: Os adultos americanos estão comprando mais do que nunca brinquedos de pelúcia como clientes adultos. Em um momento de grande ansiedade, o som de um “Axolotl” ou “Cactus” sorridente e de tom grave parece ser um conforto para quem não é alarmista, de maneira geral.
Comunidade online: Os Squishmallows são um produto que ganhou popularidade nas redes sociais, semelhante aos Beanie Babies dos anos 90. Há bilhões de visualizações no TikTok em vídeos que mostram a “caça aos Squishmallows” (com a hashtag #SquishTok).
A psicologia: por que não conseguimos deixar para trás
Por que, então, os Estados Unidos consomem mais brinquedos de pelúcia do que praticamente qualquer outro país? Os psicólogos se referem a esse conceito como “objeto de transição”. Para uma criança, um bichinho de pelúcia simboliza o mundo entre a proteção dos pais e a liberdade da realidade externa.
Quem compra bichinhos de pelúcia nos Estados Unidos vê nisso um apoio incondicional, pois a cultura desse país valoriza a independência desde cedo. São os únicos brinquedos que levamos para a nossa cama. São os brinquedos que têm o direito de sentir emoções. A natureza física e tangível de um bichinho de pelúcia fofinho é, na verdade, mais útil — e não menos — à medida que entramos cada vez mais em um mundo digital e sem contato físico.
Conclusão
Desde a década de 1900, no âmbito político, até as caçadas virais ao “Squish” dos dias de hoje, o bichinho de pelúcia sempre foi um item indispensável nos lares americanos. Ele passou por crises econômicas, guerras mundiais e a revolução digital.
É o único brinquedo que retribui o amor, e esse é o segredo de sua longevidade. Há algo especial em um ursinho de pelúcia surrado e amassado, passado de geração em geração, ou em um Squishmallow novinho em folha que compramos para um amigo: esses brinquedos despertam o que há de melhor em nós; nossa necessidade de confortar, nossa capacidade de brincar e nossa necessidade constante de encontrar um lugar acolhedor onde possamos nos refugiar.
Perguntas frequentes
1. Qual foi o nome da primeira pessoa a inventar um ursinho de pelúcia nos Estados Unidos?
O primeiro ursinho de pelúcia foi criado em 1902 por Morris Michtom, que se inspirou na lendária história de misericórdia do presidente Theodore Roosevelt durante uma caçada.
2. Qual foi o motivo por trás da popularidade dos Beanie Babies nos anos 90?
Ty Warner utilizou o conceito de escassez artificial e retiradas calculadas do mercado para transformar brinquedos de pelúcia baratos em itens colecionáveis de valor nacional.
3. Em que os Squishmallows modernos diferem de seus antecessores, os bichinhos de pelúcia?
Eles contêm uma mistura especializada de spandex e poliéster, que proporciona uma sensação única semelhante à de um marshmallow, projetada especificamente para oferecer conforto sensual e sustentação de alta qualidade.
4. No mundo dos jogos de computador, os bichinhos de pelúcia têm espaço?
Sim, os bichinhos de pelúcia estão sempre na moda, já que proporcionam um abraço físico e uma proteção emocional que os dispositivos digitais não conseguem oferecer
